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Argentina

A Argentina é um País “Continente” – andamos por volta de 6000 km e mesmo assim não visitamos metade do que há para visitar, e fizemos muito menos de metade dos quilómetros que há para fazer. A Argentina foi também uma revelação, em muitos aspectos: nas pessoas que conhecemos, que já conhecíamos e em nós próprios. Foi desafiante, mas muito muito compensador: Sim! Queremos muito voltar!

Depois de um dia confuso – decidimos à ultima da hora não visitar Colónia del Sacramento, não tínhamos tempo para tudo nem dinheiro; algumas horas de autocarro e mais umas de ferry boat depois – chegamos à Argentina, chegamos a Buenos Aires! E na viagem conhecemos um casal de Portugueses que nos deu uma lista de dicas e recomendações e de lugares para visitar, o que é sempre bom para nós, porque nos diz o que é realmente fundamental conhecer e aquilo que não vem nos guias nem na internet e só descobre quem passeia pela cidade por um tempo. E fomos super bem recebidos em Buenos Aires, pelo Ricardo (amigo de longa data a viver na Argentina há alguns meses).

Chegamos à noite, mas nem por isso a cidade deixou de ter luz e movimento. Pareceu-nos logo bem diferente do que havíamos conhecido até então. Buenos Aires é uma cidade grande, já bem mais limpa, com vida até de noite, com luz e cor. E lá estávamos nós tal e qual “turistas”, com as nossas malas enormes e esgaziados a deixarmo-nos apreciar esta beleza na viagem até casa do Ricardo. Nos dias seguintes aproveitamos para cozinhar comida bem típica de Portugal que nos consolou, a nós e ao Ricardo, mas também para conhecer a comida típica argentina: as carnes, os gelados e as facturas – pequenos bolos que eles comem durante todo o dia a toda a hora! E claro, para conhecer a cidade. Visitamos o Museu da História de Buenos Aires, a tão famosa Casa Rosada, o Cemitério da Recoleta, uma livraria dentro de um teatro antigo e um café bem conhecido, o Retiro, as várias praças que se estendem pela cidade e onde as pessoas encontram uma sombra para descansarem e conversarem, a feira de San Telmo (absolutamente maravilhosa), tal como o Bairro La Boca, que nos surpreendeu, o Tigre e tantas outras coisas. E em todos os lugares, todos os dias, sentimos que as pessoas aproveitam verdadeiramente a cidade. As pessoas deixam os trabalhos e param ali mesmo, no café ou na praça ou no banco do jardim… param e conversam, bebem um sumo, ou um mate, comem um doce, lêem, brincam com os mais pequenos. E depois voltam a casa. É impressionante como as pessoas aproveitam o fim de tarde, as ruas e os parques enchem, os cafés também, e a cidade ganha uma vida e uma alegria inexplicáveis.

Depois de uns dias em Buenos Aires sentimos que, até agora, esta seria a única cidade em que se vivêssemos éramos felizes. Mas o nosso Portugal continua a ter uma gosto especial! Aqui existem verdadeiros problemas de câmbio, o câmbio real e o câmbio que fazem na rua, a que eles chamam de “blue”, são brutalmente diferentes, e na rua Florida, em pleno centro da cidade, não se dá um passo sem ouvir um “cambio, cambio” de um lado e do outro, em todo lado, e ao lado da polícia também – o “ilegal” torna-se “legal”!! E, se quisermos trocar dinheiro, somos levados para as traseiras de alguma loja ou a esquina da rua do lado e lá nos esperam mais pessoas que trocam os dólares ou euros por pesos argentinos e o negócio está feito! É uma experiência diferente! É uma forma estranha de nos sentirmos parte do dia a dia deles que, para nós é uma coisa que parece tão perigosa e, na realidade, para eles é como comprar bolachas no quiosque!

Apesar de termos apreciado muito a nossa estadia em Buenos Aires e termos vontade de ficar porque ainda há tanto tanto tanto para conhecer, temos de partir. Seguimos para Puerto Iguazú, onde conhecemos a parte Brasileira das cataratas num dia e a parte Argentina no dia seguinte. O balanço é extremamente positivo e mais favorecido para a parte Argentina. Há imenso para ver e sugerimos que quem conseguir deve passar dois dias só na parte Argentina e um na Brasileira. O deslumbramento é constante, enquanto percorremos as trilhas definidas no parque. As borboletas estão por toda a parte e acompanham as nossas longas caminhadas, assim como os quatis (que nos roubam a comida que estiver à vista) e uma enorme quantidade de pássaros que nunca vimos na vida e que têm cores fora do normal. Para nós, como sempre, ficaram coisas para ver e coisas para fazer como o passeio de barco pelas cataratas, que estava lotado e só dava para marcar para o dia seguinte. Mas isto é interessante, partimos sempre com vontade de continuar nos lugares, conhecer mais e ver tudo o que nos podem oferecer, o que nos leva a fazer planos para quando voltarmos, um dia. E mais importante do que isso, estes pequenos “sacrifícios” de decidir o que podemos, ou não fazer, ajudam-nos a dar valor ao que de facto estamos a fazer: estamos do outro lado do mundo, a fazer o que sempre sonhamos, e temos que saber desfrutar isso! Vamos ter sempre mais coisas para ver e para fazer, vão haver sempre novidades e nós vamos ficar sempre deslumbrados como se fosse a primeira vez que visitamos aquele lugar!

 

E agora segue-se Córboda, o nosso primeiro couchsurf e a nossa primeira invasão de picadas de mosquito. Almoçamos com uma amiga, a Anita, que vive em Córboda e provamos os tão falados Lomitos (deliciosos) e partimos a conhecer a cidade, que é pequenina e a pé se conhece muito rapidamente os pontos principais. Visitamos a Catedral, a Universidade, o centro… o que nos chamou mais a atenção foi o facto de todos os edifícios antigos, como a catedral, terem o seu reflexo no chão, na calçada. É extraordinariamente bonito ver as pedras na calçada a fazer o reflexo dos edifícios monstruosos que temos à frente! Visitamos também a Villa de Carlos Paz e a Villa de Mayu Sumaj. Dois lugares bonitos, bons para descansar e aproveitar o rio e o sossego. E durante estes dias ficamos em couchsurf com o Edu, que nos recebeu com muito carinho na sua casa. Foi muito estranho nos primeiros momentos, tudo nos fazia estar desconfiados e intimidados, mas rapidamente este desassossego passou a conforto e a convívio e estávamos já a fazer o jantar para ele e para a namorada e a contar histórias da nossa viagem e a ouvir as histórias das viagens deles e a sonhar com os sítios que ainda vamos visitar e todos os outros que vamos incluir nos próximos planos. Em casa do Edu estivemos muito confortáveis, cozinhamos, lavamos a roupa (que para quem anda a viajar é um enorme presente) e descansamos bem. O Edu fez com que o nosso primeiro couchsurf fosse uma experiência muito boa e agora cresceu a vontade de continuar a ficar em casa de pessoas que se oferecem para receber viajantes por todo o mundo, de conhecê-las, de ouvir as suas histórias, de comer a comida típica, de conhecer as musicas que ouvem e de convivermos e inspirarmo-nos cada vez mais.

Seguimos para Mendoza, sem nunca imaginar o que nos esperava por lá! Tínhamos uma casa do couchsurf e a primeira coisa que fizemos foi tentar chegar até lá. Era retirada do centro da cidade e quando lá chegamos conhecemos a cozinha, o quarto e a casa-de-banho num ápice. A casa do Leandro é um pequeno T1, sem muito espaço mas com as portas abertas para quem aparece. É uma casa que tem apenas o básico mas tem também o fundamental: amizade, convívio e vontade de receber e ajudar quem aí aparece. Tem colchões no chão por todo o pequeno T1 e as pessoas acomodam-se assim, perto umas das outras. Estávamos nós os dois, o próprio Leandro, um espanhol – Fran, uma menina da Dinamarca – Cristina e ainda a visita constante da vizinha – Luli!

A verdade é que fomos conhecer a cidade com uns, as montanhas com outros, mas à noite, chegando a casa, estávamos todos ali prontos para dizer o que foi o melhor do dia e como aproveitamos o que foi menos bom (a filosofia é mesmo esta!). E fizemos um churrasco (assado, como se diz na Argentina) ali, à porta de casa, no chão, todos juntos e conversamos, rimos muito e trocamos contactos que nos vão sempre lembrar os dias em Mendoza e que vamos com certeza usar quando os destinos das próximas viagens coincidirem. A Cristina, por exemplo, que é um doce, está em Intercâmbio em Santiago do Chile e ficou ansiosa pela nossa chegada para nos levar a conhecer a cidade que agora também é dela.

Um das nossas visitas foi às montanhas, ao parque provincial de Aconcágua e a Punte del Inca. Dá para acreditar que estamos aqui?! É um lugar que nos absorve por completo, sentimo-nos pequeninos no meio de todas as gigantescas montanhas, mas ao mesmo tempo, sentimo-nos capazes e com vontade de correr tudo e explorar o máximo que conseguirmos. A vontade é de fechar os olhos e gravar para sempre a imagem que temos à nossa frente, gravar o vento que corre tão forte, gravar o sol, o barulho dos animais que passam. A vontade é de regressar um dia preparados para subir a montanha e chegar ao topo e sentar, só para apreciar a beleza de toda aquela natureza. Não conseguimos nem imaginar o que seria a nossa visão lá bem no topo!

 

Fomos também visitar umas termas naturais que surgem no meio de montanhas, Cacheuta. Estava um dia frio e nós estávamos ali sentados na pedra, dentro da água que escaldava toda a nossa pele e aquecia o coração, a olhar para todas aquelas montanhas à volta, com uma paisagem sem igual. Sentados na água quente, em silêncio, a olhar… Que sensação boa!

A cidade de Mendoza, a casa do Leandro, o Leandro e todas as pessoas que conhecemos nestes poucos dias vão ser lembrados com muito carinho. Mas é hora de partida! E na casa do Leandro já chegou mais um francês, um peruano e uma boliviana!

Próxima etapa: Chile!!

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