Uruguay

Estamos no Chui, aqui um lado da rua é Brasil, o outro é Uruguai. As ruas são confusas, com muitas pessoas, com muito lixo e muita cor. É domingo, algumas coisas estão fechadas e outras estão a fechar. Decidimos que a primeira coisa a fazer era procurar uma agência de transportes que fizesse a viagem que queriamos!! Passamos por uma fechada. Mas falaram-nos de outra, que estava fechada também. Ufa, reabre às 3h.
Aqui várias agências fazem as mesmas viagens e, muitas vezes, com preços e condições diferentes. Por isso, é sempre bom procurar a melhor ou a mais barata.
Enquanto tínhamos tempo, fizemos umas compras para o almoço e para garantir sustento nos próximos dias, ainda que signifique mais peso (temos de diminuir as malas)! E fomos também procurar um lugar para fazer o cambio do dinheiro que tinhamos trazido. Mas claro, é domingo… todas as lojas de cambio estão fechadas. O que nos vale é que em cada esquina há os “senhores do cambio” e lá procuramos o senhor que nos fazia o melhor cambio e trocamos. Achamos curiosa a honestidade do senhor que nos disse que havia outro que nos fazia um melhor preço (29,2 pesos uruguaios por um dólar).
E de repente do meio dia se fizeram três horas e tínhamos de ir comprar os bilhetes!! Até lá caminhávamos um quilómetro, que pareciam 10 com o calor e com peso que tinhamos às costas (temos de diminuir as malas). Chegamos à agencia e faziam a viagem que queríamos e não faltava muito, compramos logo os bilhetes.
Santa Teresa, aqui vamos nós!!

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Chui

Em Santa Teresa, decidimos ficar num campismo num parque natural gigantesco que pertence aos militares e, por isso, é tratado e guardado por eles. Pareceu-nos muito seguro.
O autocarro deixou-nos mesmo na entrada, que bom! Fizemos a habitual apresentação e o “check in” e o militar disse-nos que podíamos ir. Mas para onde? Até onde? E como? Ele lá nos explicou que até à zona de acampar eram cerca de 6 km. 6 km?!!!!! Não podia ser, aproveitamos logo a entrada de um senhor com uma carrinha suficientemente grande para levar todas as nossas exageradas malas e para nos levar a nós e pedimos-lhe se nos podia deixar pelo menos num sítio mais próximo. Ele aceitou! Muito mais do que nos largar na zona de acampar, o senhor uruguaio fez-nos um tour por todo o parque e ainda nos sugeriu o melhor sítio, segundo ele, para acampar.

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Camping Santa Teresa

E lá estávamos, acampados num parque natural imenso, e éramos quase a única tenda. Do lugar onde estávamos só víamos mais duas tendas! Decidimos ir explorar melhor o parque. Era maior do que podemos descrever, e mais bonito. Vimos as praias, os miradouros, os caminhos entre as densas florestas. Mas tudo fechado. Restaurantes, supermercados, cafés… tudo fechado! Ainda bem que nos lembramos de trazer alguns mantimentos, isso não será problema. Por um lado estávamos felizes, podíamos apreciar a beleza do parque sem um mar de pessoas e turistas a cortar as paisagens. Por outro, estávamos quase sozinhos num parque gigante! E neste dia tivemos, pela primeira vez, a sensação de estar longe, bem longe de casa. E sozinhos. Os dois, um com o outro, mas sem mais ninguém. Foi o primeiro dia em que nos apercebemos da viagem que estávamos a fazer. Até agora estivemos sempre reunidos com outras pessoas, na casa delas, no conforto, na segurança. Mas a viagem, a verdadeira viagem, começa com momentos como este, neste parque, um com o outro.

Os dias no parque correram bem e foram de uma paz e tranquilidade verdadeiras! Vimos iguanas gigantes, tartarugas, pássaros de todos os tipos… Vimos milhares de árvores diferentes, vimos uma praia infinita, uma fortaleza que outrora tinha sido dos portugueses e um pôr-do-sol que nos deixou calados, a olhar! Os dias em Santa Teresa foram uma experiência deliciosa e ficou a vontade de voltar lá no verão, onde tudo está aberto e o parque ganha ainda mais vida.

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Parque de Santa Teresa

Próxima paragem: Cabo polónio! Apanhamos uma boleia do acampamento até à primeira paragem de autocarro fora do parque, seria desafiante ir o caminho todo com as nossas malas às costas (temos de diminuir as malas). Tínhamos a chuva, o vento, o frio e os carros a passar mas nenhum autocarro. Esperamos 1h e 30min por um autocarro e já tínhamos vestido toda a roupa quente que levávamos na mala. Mas enfim o autocarro passou e ia para uma cidade próxima onde depois compraríamos outra viagem para Cabo Polónio. Fomos para Castilhos e uma hora depois estávamos a ir para Cabo Polónio. Chegamos e ainda tínhamos mais uma viagem! Mas desta vez, num autocarro tipo jipe que cortava as imensas dunas até à praia onde já se vê a vila do Cabo Polónio.

Ficamos logo admirados! Não há internet, não há eletricidade e a água quente são duas horas por dia, das 19h às 21h. Na vila vivem 50 pessoas durante esta altura de inverno, mas no verão todos alugam as casas disponíveis e os imensos hosteis enchem e esta pequena vila atinge as 5000 pessoas. Impressionante! Mas não podíamos estar mais felizes por termos ido no inverno. Ficamos num quartinho onde só cabia a cama e onde as nossas mochilas tiveram dificuldade em entrar, numa pousada onde as pessoas eram muito simpáticas e que ficava em cima da praia. Saltamos dunas de 10/15 metros, passeamos pela praia, vimos os búzios mais bonitos de sempre, admiramos os leões e lobos marinhos (ali mesmo pertinho de nós!!), subimos ao farol e vimos o cabo polónio todo e ainda fomos os únicos clientes do restaurante do Dani, que nos recebeu super bem para jantar.

Acordamos no dia seguinte, ainda conhecemos mais recantos da vila e organizamos tudo para virmos embora! Não são precisos mais dias para conhecer o Cabo Polónio, mas teríamos ficado mais um dia ou dois a admirar aquela imensa beleza.

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Cabo Polónio

Voltamos fazer a viagem de jipe e apanhamos o autocarro para Montevideu! Mas agora já não iamos dois. Iamos 5, dois portugueses, um inglês, um australiano e duas brasileiras. Conhecemo-nos todos na vila e seguimos todos para a grande cidade!

Resolvemos, como iamos chegar tarde, ficar no mesmo hostel que o inglês. Mas chegamos lá e a inexistência de autoclismo, de condições mínimas para tomar um duche e de higiene da cozinha coletiva, fizeram-nos decidir que no dia seguinte procuraríamos um hostel um bocadinho melhor enquanto visitávamos a cidade! E encontramos, muito muito melhor. Mudamos logo, mas nem imaginávamos a troca que estávamos a fazer.  No novo hostel passamos dois dias verdadeiramente alegres. Conhecemos muitos mochileiros, tínhamos um pequeno-almoço divinal e todas as noites eram noites temáticas e então aproveitamos uma noite de música ao vivo, aulas de salsa e uma noite de pizzas e cerveja, em que nós fomos os ajudantes no chefe!
A cidade de Montevidéu em si não nos despertou muito interesse. Claro que vimos coisas muitos bonitas, mas é uma cidade bastante europeia e dentro do que estamos habituados e para além disso a chuva tornou tudo bem cinzento. E o mar era castanho!
Queríamos ter ido para Punta del Este, mas com o gasto extra de termos ido ao Cabo Polónio, não podíamos ir. Mas não ficamos tristes, é um sítio bem turístico mas muito caro e podemos sempre voltar para visitar numa outra viagem!!! E queríamos ir também a Colónia del Sacramento antes de embarcar para Buenos Aires, mas houve uma greve de autocarros que nos impossibilitou de fazer a viagem e como o tempo estava a passar demasiado rápido resolvemos ir diretos para Buenos Aires, embora a viagem fosse feita com escala em Colónia del Sacramento, ficava metade do preço comprar a viagem completa e não parar em Colónia para visitar. E assim fizemos, Buenos Aires é a próxima paragem… e, finalmente, vamos diminuir as malas!

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Montevidéu

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Colónia del Sacramento

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